
Fundado em 12 de Junho de 1920, o Rancho Tricanas do Cidral é um rancho revisteiro, com um vasto repertório de marchas, viras, chulas, canções, fandangos, malhões e rapsódias.
O homem veste camisa branca de manga arregaçada, calça preta clássica, meia preta, cinto preto e sapatos pretos.
A mulher veste vistosa blusa de renda branca, lenço vermelho no pescoço que aperta com um "M" ou uma "Lira" ambos de prata, saia preta travada, avental em tons de vermelho, meia de vidro com calcanhar e risca na perna, e calça chinela de tacão fino. O seu cabelo é apanhado em puxo, penteado tradicional da Tricana Poveira.
A Toccata é composta por violinos, acordeão, guitarras clássicas e bombo.
O coro possuí diversas vozes masculinas e femininas.
Os seus componentes, de idades variadas, conjugam a experiência dos mais velhos, com a vivacidade dos mais novos, num convívio alegre e vibrante, em que a simpatia está sempre presente.
Já actuou de Norte a Sul de Portugal, na Madeira e nos Açores, e no estrangeiro em França.
Já actuou de Norte a Sul de Portugal, na Madeira e nos Açores, e no estrangeiro em França.
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O surgimento em 1920...

Todas as Associações, Clubes, ou mesmo Ranchos, têm a sua história - O seu nascimento, o seu crescimento, a sua existência - e o Rancho Tricanas do Cidral, não foge á regra. Muito antes de existir o Rancho Tricanas do Cidral, como era chamado nos anos vinte, já se cantava e dançava no Largo do Cidral, as chamadas danças de roda - O Abracinho, o Ferreirinho, o Laranja, o Pé com Pé, etc, até que pelos anos vinte um grupo de jovens da época, criaram o seu Rancho. Como de costume, aos domingos e dias festivos, reuniam-se no Largo do Cidral e assim nasceu o seu nome - Rancho do Cidral. O seu traje era o traje comum da época, pois ainda não se falava em tricanas. Foram escolhidos doze pares, dos mais alegres do Bairro da Matriz, entre os dezassete e os dezanove anos, logo encontraram o ensaiador, António Cruz, mais conhecido por António Barréga. Os ensaios eram num barraco pertencente a Acácio Barroso, ou a cozinha da Bina Carvalho, tirando-se as mesas e cadeiras e até o armário, juntando a boa vontade de todos para que as dificuldades fossem superadas. O Cidral fazia o seu nome andar de boca em boca e via a sua tradição crescer, sendo o foco das festas populares e é notório o nome de S.João nas cantigas do Cidral, sendo o cravo a flor preferida do seu Rancho, fazendo ainda hoje parte do seu símbolo. Naquele tempo, dançava-se no chão e a ornamentação constava de um grande pinheiro posto no largo, e pregadas aos paus de bandeiras eram cruzadas palmas ou ramos de árvores e meia dúzia de lâmpadas que iluminavam o Largo, junto a um pouco de festão. Com Mário Oliveira, Neca Marques e Eduardo Correia o Cidral prossegue até aos anos quarenta. De quando em quando existiam paragens para descansos, que serviam para aparecerem novos nomes e novas ideias. Assim em 1945, surge Neca Vasconcelos, que em conjunto com João dos Santos Afonso " O Juca " e António Martins Neves " o Tone Lima", põem mãos à obra e fazem ressurgir o Rancho. O ensaiador passou a ser Xico Vilaça e os ensaios faziam-se na Eira, por trás da estação, lá estava o Rancho do Cidral, com gasómetro, lona e a boa vontade de todos, enfrentando o frio da noite a dançar e cantar alegremente. Os componentes pagavam 2$50, por semana, para custear as despesas do carbureto e a merenda do ensaiador. Faz-se a primeira bandeira, cor vermelha, emblema, um barco, o sol e a lua, com os dizeres " Rancho do Cidral". Começam os ensaios, mas começa a escassear o dinheiro, que não dava para as despesas do rancho.

O novo acordar... em 1953

Em 1953, com Alberto Martins e Alfredo Milhazes, o Cidral acorda de novo, para participar num concurso de Ranchos Populares. Ensaia primeiro Alfredo Milhazes e logo depois Armando Ferraz. Forma-se o Rancho Tricanas do Cidral, que ganha o prémio Salva de Prata, 1º lugar no concurso de Ranchos Populares. Em 1954, fazem-se os primeiros emblemas do Rancho, uma Lira, que ficou a vigorar como símbolo do Cidral. É feita uma nova bandeira, réplica da primeira, e foi criado o Estatuto Interno do rancho.
O regresso... Década de 80
Depois de um período de trinta anos como Rancho, o Cidral andava de novo a participar nas danças de roda, até que a Associação Cultural e Recreativa da Matriz, fundada em 1985, teve a feliz ideia de a fazer renascer, talvez de uma cinzas pequeninas, mas que mantinham ainda algum calor, pois que a ideia da Associação, era fazer com que o Rancho participasse num espectáculo que iria levar á cena, de nome "Matriz Minha Saudade". Juntaram-se recordações, fotos e o material necessário para se concretizar esse sonho. Contactaram-se antigos componentes e como a idade já era acima de jovem, deu-se o nome de Rancho Tricanas do Cidral "Veteranos". Depois de Matriz Minha Saudade, seguem-se vários outros e diversas actuações, e surge a festa do Rancho, realizada anualmente, pelo S.António. Ainda hoje, e apesar das instalações da Associação, esta festa realiza-se ao ar livre, no Largo do Cidral. Tem uma nova bandeira, em que já é visível a Lira. O Cidral continuava vivo, apenas tinha parado para descansar. Mais tarde, abandona-se o conceito de veteranos e hoje, após uma época em que assumiram como ensaiadores a prata da casa, Manuel Milhazes, depois Fernando Pereira e por último Zé Manel, que garantiram a harmonia e a continuidade do Rancho, assumiram como ensaiadores António Fangueiro e Mário Silva, que com o apoio da direcção da Associação Cultural e Recreativa da Matriz conduzem um grupo em que existe uma mescla de gerações, confraternizando e levando a todo o Portugal a alegria e vivacidade, de um Rancho, que tão velhinho na idade, se renova dia a dia.